26.9.07
Menino
Sobre minha alma
De menino
Finas camadas
De cinismo,
De traquejo,
De experiência.
As manhas, as cascas
De adulto.
Agora é descolar,
Uma a uma,
As tênues capas
Que juntas se espessam:
Joio e trigo,
Joio e trigo,
Joio e trigo,
Para, quem sabe,
Vislumbrar, ainda que
Pálido,
O rosto esquecido,
O olhar colorido,
O gosto da primeira vez
Em tudo.
Cuido dos meus
Dias grisalhos,
Removendo meticuloso
A cola poderosa do
Tempo e do hábito.
Pessoa
Fernando Pessoa.
Li o que escreveu.
Sentei em sua mesa em Lisboa.
Ouvi, às vezes entediado, a seus inúmeros admiradores.
Nunca li nada sobre alguém que contigo ficasse no
Curso de sua dor. Nada. Depoimento nenhum, testemunha nenhuma. Valeu-te? Tiveste companhia? Uma copa, um copo, um ouvido que fosse?
Passou em branco, ó pá. Solidão, ora pois. Bem-vinda a não companhia?
Que importam posteridades.
Poemas / O tempo das coisas
Se o corpo não pára,
O olho não vê
E o coração não enxerga.
Se não há o tempo das coisas,
A alma não se move –
E a mão não escreve!
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